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O primeiro semestre de 2013 trouxe ao setor de investimento imobiliário alguns sinais de retoma de confiança por parte dos investidores. A estabilização das cotações no mercado de dívida pública, influenciada não só pelos ténues indicadores de melhoria da economia portuguesa, mas também por um maior otimismo quanto ao futuro das principais economias europeias, contribuiu seguramente para estes primeiros indícios de recuperação de um mercado, que desde 2008 tem vindo a ser o principal perdedor da severa crise económica que Portugal atravessa.



No primeiro semestre do ano foram transacionados um total de €161 milhões em ativos de imobiliário comercial, mais que o triplo do valor verificado de Janeiro a Junho de 2012, cujo montante de investimento se cifrou em pouco mais de €47 milhões. Acrescendo a este valor o setor residencial, o volume total de negócios aproximou-se dos €230 milhões, refletindo um crescimento superior a 60% face ao período homólogo do ano anterior.



O volume médio por negócio de investimento comercial confirma também o maior dinamismo em 2013, tendo-se cifrado em €18 milhões, o dobro do valor verificado no ano anterior, e superior à média dos últimos dez anos, na ordem dos €17 milhões. Apesar deste crescimento no volume de negócios, o maior interesse por parte de investidores estrangeiros não é ainda suportado por operações efetivas, sendo que todas as transações de imobiliário comercial efetuadas no semestre tiveram origem em capitais nacionais.

O maior negócio do primeiro semestre do ano foi a compra dos restantes 50% do centro comercial CascaiShopping por parte da Sonae Sierra ao investidor britânico Rockspring; seguido das Arrábida Lake Towers em Vila Nova de Gaia que passaram a integrar a carteira do Fundo Fungepi BES, gerido pela Fimoges. Em terceiro lugar seguiu-se mais um ativo de retalho, o Continente de Lamego que foi adquirido por um fundo de investimento imobiliário nacional.



O setor de retalho retomou a primazia em termos de negócios de investimento, tendo sido responsável pela quase totalidade do investimento no setor comercial no primeiro semestre de 2012, cerca de 90%. Seguiram-se os setores de escritórios, com 10% do volume de transações, e o industrial, com apenas 1% do total de investimento.

Ainda que exista um maior interesse por parte dos investidores no mercado, as yields prime de referência mantiveram-se estáveis para os setores de escritórios e retalho na primeira metade do ano. Em Junho de 2013 as yields prime situaram-se nos 7,75% para escritórios e centros comerciais; e 9,75% para industrial. Caso se confirme até ao final do ano uma maior procura de ativos imobiliários por parte dos investidores, é provável que a estabilidade dos valores se mantenha em 2013 e 2014.



Ainda que a incerteza na atividade de investimento imobiliário face ao fecho do ano seja uma constante, a evolução positiva no volume de negócios, bem como o crescimento do volume de liquidez de alguns investidores internacionais e particulares portugueses permite antecipar uma manutenção, ou mesmo crescimento, da atividade do mercado de investimento no segundo semestre, podendo indiciar uma inversão da procura no setor, que poderá inclusivamente manter-se ao longo de 2014.

Mantêm-se também as perspetivas muito positivas quanto à confirmação da reabilitação urbana nos centros de cidade - numa primeira fase em Lisboa e no Porto - como um nicho de mercado muito interessante para uma parte dos investidores imobiliários em Portugal, maioritariamente os investidores privados mais direcionados para negócios de nicho. O impulso dado pela aprovação das revisões do regime jurídico do arrendamento urbano e da reabilitação urbana deverá incentivar ainda mais este setor.

Em síntese, Portugal pode ser colocado em casos pontuais no radar dos investidores. Mas a sua perspetiva é ainda cautelosa, nos pressupostos de sustentabilidade das rendas; e defensiva, na exigência de taxas de retorno que compensem a tomada de risco, a inexistência de crédito e a diminuta liquidez do mercado.

Antecipa-se assim um mercado mais criterioso, mas onde se ultrapassou por ora o estigma da saída do euro, e se procuram as bases para relançar a economia e o mercado imobiliário.
 


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